Folha de SP – Ilustrada

De Instituto Odeon em 7 de março de 2019


O Estado de SP – C7

De Instituto Odeon em


O Barbeiro de Sevilha

Folha de SP – Ilustrada

De Instituto Odeon em


O Barbeiro de Sevilha

O Estado de SP – Caderno 2

De Instituto Odeon em


O Estado de SP – Caderno 2

De Instituto Odeon em 5 de março de 2019


Esclarecimento

De Instituto Odeon em 4 de dezembro de 2018


Diante de insistentes afirmações inverídicas proferidas pelo secretário municipal de Cultura, André Sturm, o Instituto Odeon vem a público expor fatos

O Instituto Odeon foi escolhido pela Prefeitura Municipal de São Paulo para ser o responsável pela gestão do Theatro Municipal de São Paulo a partir de 1 de setembro de 2017, após apresentar a melhor proposta em Edital de Chamamento realizado seguindo todas as condições legais.

As condições do chamamento são claras e públicas. Lá está dito que o “gerenciamento e realização das atividades, programas e corpos artísticos” serão de responsabilidade da Organização da Sociedade Civil que apresentar a melhor proposta.

Desde que assumiu sua função, o Instituto Odeon busca cumprir sua missão, contando com alguns dos melhores profissionais do país na área de cultura, para isso, seja nos corpos artísticos do Theatro Municipal, cuja excelência é reconhecida mundo afora, seja na área administrativa e técnica, com pessoas de comprovada competência.

No entanto, apesar de não haver nenhuma ressalva no contrato em relação à responsabilidade da gestão do Theatro Municipal — o Termo de Colaboração é claro ao determinar que o gerenciamento e a realização das atividades são de responsabilidade do Odeon — não houve um único dia em que a ingerência da Secretaria Municipal de Cultura, mais precisamente do secretário titular da pasta, André Sturm, não tenha sido sentida.

O contrato é claro quando diz que o Odeon deve “cumprir a política e missão da Fundação Theatro Municipal definidos para o Theatro Municipal e seus complexos;”. Tal política e missão é o que deveriam dar o Norte para o trabalho do gestor, que depois deveria ser cobrado por resultados. Até hoje, no entanto, a Fundação Theatro Municipal não apresentou um documento detalhando o que seria sua política e sua missão para o Theatro. Existe apenas uma folha com indicações genéricas que fez parte do edital de chamamento. Levando-se aquele texto em conta, o trabalho do Odeon excedeu todas as expectativas.

Sem planejar e sem deixar claras quais seriam sua política e suas diretrizes para o Theatro que deveriam ser perseguidas pelo Instituto Odeon, a FTM e a Secretaria apenas improvisam, com determinações baseadas em atos voluntariosos. E cobram sem saber o que querem. Demoram mais de um ano para dar respostas a solicitações e até mesmo para avaliar a prestação de contas.

Um desses atos voluntariosos foi a decisão do secretário Sturm de vetar a contratação de um Diretor Artístico para o Theatro. Apesar de o Odeon ter seguido os trâmites de apresentar quatro nomes para que o secretário escolhesse um, Sturm se recusou a fazê-lo. Para desempenhar as funções de Diretor Artístico foi criado um Núcleo Artístico, do qual Sturm fez questão de ser um dos membros.

Outro ato de ingerência, como também mostram fartas trocas de e-mails, são ordens e determinações de subordinados diretos de Sturm que não têm nenhum vínculo com o Theatro Municipal, interferindo no dia-a-dia  da administração do Theatro. Até na cor de um programa da apresentação do Balé da Cidade de São Paulo a responsável pela assessoria de comunicação da Secretaria de Cultura pretende impor sua vontade. E se auto-intitula como “instância deliberativa” para o assunto. Veja os e-mails autoritários enviados pela assessora de imprensa. O mesmo foi feito em relação à exclusão de nomes de artistas das fichas técnicas de apresentações, mesmo em óperas como Turandot.

Sturm, como mostram áudios gravados em reunião realizada em 29/11/18, entende que seu papel é mandar, ordenar, exigir. Ele diz claramente, por exemplo, que vai “exigir a contratação de um gerente de programação” (ouça aqui a ordem de Sturm) porque ele entende que não é necessária a presença de um diretor artístico. Vale ressaltar que essa decisão não cabe ao secretário, mas ao órgão gestor do Theatro Municipal.  

Esses são alguns dos exemplos registrados, por e-mails ou viva voz, dos desmandos do secretário.

Sturm nunca enxergou o Instituto Odeon como o parceiro que o contrato determina. O secretário sempre quis ser ele o gestor. Sempre quis que as vontades dele prevalecessem. Fez isso, por exemplo, quando impôs o nome de Cleber Papa para a direção cênica da ópera “O Barbeiro de Sevilha”, apesar de manifestação contrária, por escrito, do Instituto Odeon. Papa foi diretor artístico do Municipal quando o IBGC era o gestor. O IBGC foi afastado sob acusações de fraude e corrupção. Na sequência, a Casa de Ópera, OS fundada por Papa, perdeu a disputa com o Odeon pela gestão do Theatro Municipal. Ainda assim, Sturm determinou que Papa será o diretor.

Sturm também impôs sua vontade quando determinou que a “Ópera dos 3 Vinténs” faria parte da programação do Theatro em 2019. Anunciou isso a um dos maiores jornais do país, com direito a foto dele ao lado de quem seria o diretor da ópera, o competente e renomado Luiz Fernando Carvalho. Grande defensor do “planejamento e das boas práticas de gestão”, Sturm não se atentou para um detalhe: os direitos da ópera. Por mais de três meses o diretor Luiz Fernando de Carvalho, por meio de sua produção, tentou comprar os direitos. Como não conseguiu, fez com que, nas palavras do secretário, “um buraco fosse aberto” na programação de óperas do Theatro Municipal de 2019 (ouça).  Todo o restante da programação está completa — resultado do trabalho do Odeon.

Pelas atitudes e falas de Sturm, o Odeon deveria funcionar como um apêndice da Secretaria. Um órgão de repasse de verbas estipuladas em um contrato. Deveria ser um departamento que seguisse suas ordens, uma espécie de “pagadoria”, para usar uma expressão do próprio Sturm. Não é para isso que o Termo de Colaboração existe.

Ao longo de pouco mais de um ano, diante de tais atitudes, a relação com o secretário foi se deteriorando. O Odeon tentou, de todas as formas, contornar o jeito centralizador, controlador e desrespeitoso de Sturm. Contudo, a ingerência, a falta de respeito – que muitas vezes chegava ao nível do assédio moral, como também mostram mensagens de Sturm – chegou ao ápice no início de outubro de 2018.

Em reunião realizada no dia 5 daquele mês Sturm foi categórico: queria que o Odeon deixasse suas funções. Lá apresentou um áudio, que segundo ele havia sido gravado por membro do Coral Lírico. Afirmou que a diretora-executiva do Theatro, Tatyana Rubim, conspirava contra ele.

O que fez Tatyana? Em conversa com o Coral, falou sobre a resistência de empresas patrocinadoras, que anteriormente haviam manifestado preocupação com a exposição da imagem do secretário. Meses antes da reunião (em janeiro) vieram à tona gravações de uma funcionária de Sturm que o acusava de assédio sexual, sem contar outros escândalos divulgados anteriormente pela imprensa que tinham o secretário como protagonista.

Naquela reunião, Sturm exigiu que o Odeon pedisse para sair. Fez isso ameaçando romper o contrato de forma unilateral, como o contrato permite, caso o Instituto não atendesse a sua demanda. O Odeon se recusou e Sturm voltou atrás na ameaça: propôs um distrato de comum acordo. Diante do desgaste causado pela forma desrespeitosa como Sturm tratava a todos do Instituto, os diretores do Odeon aceitaram discutir a proposta de um distrato de comum acordo.

Atendendo a pedidos do secretário, o Odeon apresentou uma proposta preliminar de intenção de distrato, contendo condições básicas, que seriam detalhadas e ampliadas em reuniões presenciais com o secretário e sua subordinada Patrícia Oliveira, a diretora-geral da FTM. Patrícia assinou estar de acordo com os termos iniciais da proposta preliminar.

Não é difícil concluir que uma saída do Odeon a pedido do próprio Instituto ou o distrato bilateral seriam as melhores alternativas para Sturm. Depois de uma gestão marcada por fraudes e corrupção pelo gestor anterior (IBGC) e do desgaste de imagem do próprio Sturm, resultado de escândalos aos quais ele mesmo se expôs, seria bastante incômodo explicar à opinião pública por que uma entidade séria, competente, que jamais teve uma reclamação de seus contratantes e conquistou o direito de gerenciar o Theatro Municipal após participar de processo licitatório transparente, fosse retirada de suas funções sem nenhuma explicação.

Restava a opção de uma rescisão apontando falhas graves cometidas pelo Odeon. Falhas que o próprio Sturm afirma não existir ao dizer, em reunião que foi gravada, que daria quitação de tudo. E que a diretora-geral da FTM, Patrícia Oliveira, também afirma não haver ao assinar a proposta preliminar.

Em reunião com integrantes dos corpos artísticos no dia 29/11/18, para o qual a diretoria do Odeon não foi convidada, Sturm afirmou que as quatro acusações presentes na notificação contra o Odeon simbolizam os motivos pelos quais ele quer tirar o Instituto da gestão do Theatro. Abaixo, as acusações e as evidências que mostram as fragilidades dos argumentos de Sturm. Desde já convidamos o secretário Sturm para um debate público, com a presença de todos os funcionários e colaboradores do Theatro Municipal, para que nenhuma pergunta fique sem resposta.

INEFICIÊNCIA: essa característica estaria comprovada pela “prática reiterada de ações sem planejamento”. Curiosamente, nem o secretário, nem a FTM, mostram onde houve falta de planejamento. Poderia ser enquadrado como falta de planejamento a inclusão de uma ópera na programação do Theatro, e a ampla divulgação da mesma, sem ter os direitos para encená-la. Ou então falta de apresentação da política e missão da Fundação Theatro Municipal definidos para o Theatro Municipal e seus complexos, como determina o Termo de Colaboração.

INCOMPETÊNCIA: Sturm afirma que o Odeon é incompetente e dá como exemplo maior disso os problemas com visto do solista William Hagen, que não entrou no país por falta de visto e desfalcou o elenco de um concerto da Orquestra Experimental de Repertório. Talvez o secretário desconheça a legislação brasileira no tocante à concessão de vistos, mas ela é clara: apenas o próprio interessado pode solicitar seu visto e realizar os trâmites burocráticos para obtê-lo. Talvez o secretário também não tenha conhecimento sobre a legislação trabalhista brasileira, ao menos no que diz respeito à apresentação de artistas estrangeiros. Ela também é clara: se o artista estrangeiro se apresentar por prazo inferior a 90 dias (como era o caso) ele deve solicitar um visto de Turista, não de trabalho. Portanto, como é fácil compreender, não era nem nunca foi responsabilidade ou competência do Odeon o visto do solista.

É importante ressaltar que, graças ao empenho, a credibilidade e a agilidade do Instituto Odeon, o solista Hagen foi substituído a tempo. O espetáculo foi realizado conforme previsto e não houve nenhum cancelamento ou desistência do público em função da troca.

FALTA DE TRANSPARÊNCIA: o secretário afirma que o Odeon não repassou informações referentes à bilheteria quando essas foram solicitadas, nem tampouco informou de furto na bilheteria.

Mais uma vez o secretário não se informou. O Odeon repassou todas as informações quando solicitadas. Não bastasse isso, o Odeon franqueou login de acesso e senha ao sistema online de bilheteria do Theatro Municipal para que a FTM tivesse acesso às informações em tempo real.

Além disso, todas essas informações constam de prestação de contas enviadas à FTM desde setembro de 2017 e que não foram devolvidas (aprovadas ou não) até o último dia 30 de novembro. O secretário parece não ter lido as prestações de contas, mas nem por isso deixou de usá-las para chantagear o Odeon, como deixa claro áudio gravado em reunião. 

O secretário afirma que o Odeon demorou oito meses para informar à Secretaria e à FTM o furto de valores de bilheteria. Mais uma vez, os fatos desmentem o secretário. O que houve foi uma falta de repasses por parte da empresa que à época fazia a venda de ingressos (Compreingresso) em novembro de 2017. Ao verificar o fato o Instituto Odeon registrou o Boletim de Ocorrência 6035/2017 no 3.o Distrito Policial – Campos Elíseos. O que o secretário chama de “furto” o escrivão de polícia responsável pelo BO classificou como “Apropriação Indébita” no valor de R$ 642.000,00.

Após registrar o BO, o Odeon renegociou com a empresa, que pagou da seguinte forma: dia 23/11/2017 – R$ 10.000,00, dia 22/12/2017 – 162.299,00, dia 09/03/2018 – R$ 50.000,00, totalizando R$ 222.299,00. Quando voltou a não fazer o repasse, o Odeon tentou nova conversa. A última parcela paga pela Compreingresso foi em março deste ano. Sem pagamento em abril, o Odeon informou à FTM sobre a situação. Vale ressaltar que a responsabilidade sobre esses assuntos, de acordo com o Termo de Colaboração, são do Instituto Odeon. Por liberalidade e em nome das práticas de transparência o Instituto sempre repassou as informações, como está demonstrado. Já o secretário e FTM agem como se fossem chefes do Odeon. Não são.

MÁ UTILIZAÇÃO DOS RECURSOS PÚBLICOS: o secretário e a FTM afirmam que o “pagamento de remuneração de profissional de captação de recursos em desacordo com a Portaria do Minc n5 de 26 de dezembro de 2017 ocasionou prejuízo para a PMSP”.

Talvez o secretário desconheça a legislação. Os maiores especialistas em direito no assunto são categóricos em afirmar que as práticas adotadas pelo Odeon são totalmente legais. O assunto é bastante técnico, portanto é importante ler os pareceres de dois dos maiores escritórios de advocacia especializados no tema.

Cesnik Quintino & Salinas Advogados 

Olivieri Associados

O secretário Sturm faz acusações sem provas, e usa o poder do cargo para tentar convencer seu público. Os fatos, no entanto, não colaboram com seu discurso. O secretário, em uma atitude de quem acredita ser dono de todas as verdades, se atrapalha ao usar argumentos contraditórios na tentativa de reafirmar argumentos opostos. Por exemplo: ele primeiro afirmou que houve um distrato amigável, de comum acordo. Na sequência notificou o Odeon com um ofício que incluía justificativas para uma rescisão unilateral por parte da FTM. Depois afirma que o distrato bilateral não foi assinado porque o Odeon não cumpriu sua parte no acordo. Mas o áudio da fala do próprio Sturm deixa claro que ele chantageia o Instituto e só cumpriria a parte dele depois de assinado o distrato.

Não para por aí. Na reunião com os corpos artísticos Sturm diz que o Odeon é incompetente porque não planejou mais récitas da ópera Turandot. Afirma que “mesmo com o pé doendo porque o sapato aperta o artista quer subir no palco porque a vida do artista é o palco”. Para, minutos depois, afirmar que o Odeon é incompetente porque realizou récita extra e prejudicou os artistas, que tiveram que cantar e tocar quatro dias seguidos (apesar da concordância dos diretores e maestros de todos os corpos artísticos envolvidos e da diretora-geral da FTM, Patrícia Oliveira).

Abaixo segue um relato com alguns dos pontos apresentados pelo secretário em sua reunião com os corpos artísticos no dia 29/11/18.

“Decisão de retirar nomes das fichas técnicas dos programas de espetáculos”

Sturm afirma que, por restrição orçamentária, decidiu que em espetáculos com apenas duas apresentações não seriam impressos programas. Nas palavras dele, “determinou que seriam feitos apenas “flyers”. Devido à falta de espaço, não seria possível manter todos os nomes.

Mas nos programas de espetáculos maiores, com mais apresentações, como óperas, todos os nomes deveriam constar.

O secretário é contestado e afirma: “Aí eu lamento muito, mas neste caso não é determinação nossa.” Ouça o trecho da reunião em que o secretário faz a afirmação.  

Conforme comprovam e-mails enviados pela Secretaria Municipal de Cultura, a determinação para cortar a ficha técnica sempre veio do órgão comandado por Sturm. Veja aqui os e-mails que contrariam o secretário. Não deveriam, já que não é função do secretário ou da Secretaria interferir na gestão do Theatro Municipal. Contudo, a interferência vai além. No caso dos “flyers” citados pelo secretário, havia espaço para informações sobre os espetáculos junto com a ficha técnica. Exercendo a função de diagramador, Sturm decidiu suprimir as fichas técnicas para colocar fotos que ocupavam a maior parte do espaço desses impressos, como mostram exemplos anexos. Veja aqui como eram os flyers com as fichas técnicas e como ficaram depois da intervenção de Sturm.

“Demissão por justa causa”

O secretário faz mais uma afirmação que não tem base na realidade. Sturm afirma que uma funcionária foi demitida por justa causa pelo Instituto Odeon por ter-se reunido com ele.

Não houve demissão de nenhum funcionário, seja por justa causa, seja sem justa causa, por ter mantido algum encontro com o Secretário. O contrário poderia ser comprovado com a apresentação de documentos ou pelo menos o nome e a data em que a funcionária teria sido demitida. O Instituto Odeon assina a rescisão do contrato, de forma unilateral, se André Sturm apresentar a demissão por justa causa de algum funcionário do Odeon.

“Gravação do Coral Lírico”

“Em relação a essa história de áudio, eu não recebi. E mais do que isso: nós não divulgamos. Eu não ouvi em nenhuma rádio qualquer outro áudio além do que gravaram à minha revelia. Quem tem a prática de gravar conversa alheia e entregar para jornalista não sou eu e eu não soube de nenhum de vocês que tenha feito isso. Me parece humor de péssima qualidade alguém que tem o hábito de gravar conversas alheias e distribuir para rádios acusar outras pessoas de fazer o mesmo quando não tem nenhuma evidência.” Ouça o próprio secretário afirmando o que será desmentido abaixo, com documentos.

Mais uma vez os fatos insistem em contrariar o secretário Sturm. Às 22h39 do dia 5 de outubro de 2018 a diretora-geral da Fundação Theatro Municipal de São Paulo, Patrícia Oliveira, encaminha áudio ao diretor-presidente do Instituto Odeon, Carlos Gradim. O áudio, que segundo afirmou o secretário Sturm em reunião no mesmo dia, havia sido gravado por membro do coral Lírico, seria uma prova de que o Odeon estaria armando um complô contra o secretário.

Ouça o áudio da gravação da reunião de Tatyana Rubim e o Coro Lírico aqui.

Sobre “hábitos de gravar conversas alheias” vale ressaltar que essa prática configura crime. Já o ato de gravar a PRÓPRIA CONVERSA é um direito constitucional para que o cidadão que se sinta ameaçado possa garantir que a verdade dos fatos não seja distorcida. Como se sabe, o secretário foi gravado em algumas ocasiões cometendo atitudes pouco republicanas. Tendo conhecimento disso, e sentido-se ameaçados, membros do Instituto Odeon utilizaram o direito constitucional de gravar suas próprias conversas. O resultado comprova que os temores não eram infundados.

“Salário do Gradim”

Depois de afirmar em reunião com colaboradores do Theatro Municipal que o diretor-presidente do Instituto Odeon recebia “mais de R$ 50 mil de salário pela CLT” o secretário Sturm agora afirma que “Gradim custa uns R$ 55 mil” para a cidade de São Paulo.” E faz outra afirmação: que o “salário do Gradim é de uns R$ 35 mil” e que a parte do contrato do Theatro Municipal paga 70% disso, o que resultaria em cerca de R$ 24.000,00. 

Em reunião com colaboradores do Theatro Municipal, Gradim revelou seu salário. E aí, mais uma vez, os fatos teimam em discordar do secretário e reafirmar o que diz o Odeon. O registro em Carteira de Trabalho e o contrato de Carlos Gradim deixam bastante claro seu salário mensal bruto: R$ 24.149,13. O salário mensal líquido, após descontos, é de R$ 17.642,42. Eventualmente Gradim recebe diárias, previstas em contrato, que jamais passaram o valor de R$ 8.900,00 em um mês, o que faz com que sua remuneração atinja cerca de R$ 33.000,00 brutos em alguns meses.

É preciso deixar claro que o salário de Carlos Gradim é pago integralmente pelo Instituto Odeon. O Odeon tem um contrato firmado com a Fundação Theatro Municipal de São Paulo que estabelece normas claras sobre a utilização de recursos e jamais houve qualquer questionamento sobre a utilização dos recursos.

Imagem da Carteira de Trabalho de Carlos Gradim:

Veja contrato de trabalho de Carlos Gradim.

“Planejamento e programação 2019”

O secretário afirma que “a programação de 2019 está quase pronta” e que “há apenas um buraco”.

Nessas afirmações o próprio secretário deixa claro um assunto que ele levanta como “falha” do Instituto Odeon: o planejamento.

A programação de 2019 está “quase pronta” porque o Instituto Odeon planejou de forma correta e competente, realizando seu trabalho com excelência. O “quase” da fala do secretário deve-se a ele mesmo. À sua ingerência e ao que ele qualifica como “pouca capacidade de planejamento.”

O “buraco” ao qual Sturm se refere é o da “Ópera dos Três Vinténs”, decisão dele de incluir na programação do Theatro. A ópera ocuparia 30 dias da programação, conforme entrevista do próprio secretário e do diretor da obra ao jornal O Estado de S. Paulo em 9 de agosto. Como se sabe, o modelo de gestão não prevê a participação do secretário na definição da programação, mas ele usa do poder que tem como secretário para interferir.

Depois de três meses de anunciar a um dos maiores jornais do país a realização da ópera, e de bloquear a programação do Theatro por mais de um mês, Sturm anunciou em 27 de novembro que a ópera está suspensa. O motivo: ele e seus parceiros não conseguiram adquirir os direitos autorais.

“Excesso de ensaios, récitas extras, falta de coordenação”

Sturm reclama da falta de récitas extras. Reclama da realização de récitas extras.

Não posso concordar que a Sagração da Primavera e a Ópera Turandot não possam ter récitas extras porque a programação foi mal planejada.”

No Turandot, para fazer de conta que fizeram récita extra, fizeram uma no domingo.”

Não foi faz de conta, houve uma récita extra no domingo, com casa lotada. No caso da Sagração da Primavera houve uma récita extra e um ensaio que seria fechado foi aberto ao público, com venda de ingressos.

As falas acima deixam clara a insatisfação de Sturm com uma suposta falta de realização de récitas extras. Na sequência ele deixa clara sua insatisfação com a realização de récitas extras.

“Pra fazer récita extra as pessoas tiveram que cantar e tocar 4 dias seguidos. Não precisa ser músico pra saber que alguém vai se dar mal nessa história. E não é o bilheteiro.”

Os cantores e músicos realmente cantaram e tocaram quatro dias seguidos. Todos os maestros e diretores foram consultados sobre a realização ou não da récita extra e todos concordaram em realizar uma récita. A diretora-geral da FTM, Patrícia Oliveira, também afirma estar “de acordo” com a récita extra em e-mail encaminhado no dia 12 de novembro às 17h46. Em contrapartida para compensar o esforço, a pedido dos músicos e maestros e regentes, um ensaio que estava previsto foi cancelado.

Foi o próprio secretário Sturm que disse na reunião: “o artista pode estar com o pé doendo porque o sapato está apertando, mas ele quer subir no palco. Por mais que doa, você quer subir no palco, sua vida é subir no palco.” Ouça.

Não são só os fatos que contradizem André Sturm. As falas do próprio Sturm contradizem André Sturm.

“Plano de cargos e salários”

Conselheiro afirma que desde o início foram apresentados 19 pontos a serem desenvolvidos e que só houve algum tipo de resposta na reunião de outubro. Segundo ele, de maio a outubro o assunto ficou em “um limbo”, o conselho não recebeu para dar um OK final.

O Instituto Odeon apresentou um Plano de Cargos e Salários em novembro de 2017. Desde então, o Instituto Odeon encaminhou quatro ofícios respondendo a questionamentos da FTM sobre o plano, enviados em 28 de maio, 16 de julho, 1 de agosto e 31 de outubro. Apenas em 12 de novembro deste ano, ou 1 ano e dois dias após o Instituto Odeon ter encaminhado à FTM um Plano de Cargos e Salários, a Fundação encaminhou uma resposta afirmando estar “de acordo” com o plano. Veja.  

“Contratação de um diretor artístico”

Durante a reunião o secretário foi cobrado mais de uma vez pela contratação de um diretor artístico. A cobrança mais enfática foi do experiente maestro Mario Zaccaro, que afirmou que o teatro não pode “ficar liberto como está”.

A contratação de um diretor artístico estava prevista no contrato entre Odeon e FTM. Seguindo recomendação da Fundação, o Instituto Odeon enviou quatro nomes para que um fosse  escolhido por Sturm. Ele rejeitou os quatro. Foi criado um “núcleo artístico” composto por ele mesmo, o regente da Orquestra Sinfônica Municipal, Roberto Minczuk, o diretor do Balé da Cidade de São Paulo, Ismael Ivo, a diretora presidente da Fundação Theatro Municipal, Patrícia Oliveira, a diretora executiva do Instituto Odeon, Tatyana Rubim e o diretor presidente do Instituto Odeon, Carlos Gradim.

Sturm justifica a não contratação de um diretor artístico com a seguinte frase: “Não posso contratar mais alguém para dar palpite. O que nós precisamos é de um gerente de programação.”

“Gerente, diretor, supervisor de programação”

Mais uma vez o secretário pretende determinar como o Theatro deve ser gerido, passando por cima do Termo de Colaboração. Ele diz que já pediu e que agora vai “exigir a contratação de um gerente de programação que faça o meio de campo”. Além de reforçar sua ingerência, Sturm mostra desconhecimento. O Theatro Municipal tem um coordenador de programação desde 13 de abril que faz exatamente o que ele pede. ouça aqui a ordem de Sturm

“Eles se recusaram a fazer o acordo bilateral ao não cumprir a parte deles”

A parte do Instituto Odeon na tentativa de um acordo bilateral era a de enviar uma proposta preliminar por escrito, conforme pedido do secretário em reunião realizada em 5 de outubro de 2018, e comparecer a reuniões para discutir os termos de um possível acordo. Tudo isso foi feito, veja. O Odeon colocou como condições para assinar o distrato pontos com a devolução das prestações de contas apresentadas desde setembro de 2017, que jamais tiveram um retorno desde então. O Odeon não poderia rescindir o Termo de Colaboração tendo as contas em aberto, uma vez que essa situação é incompatível com a adequada gestão do Termo. Aditamento do termo de contrato em que constavam o Plano de Trabalho e o Orçamento e aprovação de planos complementares entregues nos primeiros 75 dias de trabalho, como previa o contrato.

No dia 9 de novembro, em reunião gravada que deveria tratar de um suposto vazamento das negociações de um possível distrato para a imprensa, o secretário André Sturm afirmou que assinaria a prestação de contas e daria quitação de pendências que estariam em aberto, como os já citados Orçamento e Plano de Trabalho, mesmo sem os ter analisado e, portanto, sem concordar com seu conteúdo. O fato chamou a atenção de um conselheiro do Instituto Odeon presente à reunião, que alertou o secretário.

No dia 13 de novembro, um dia antes do prazo para definir a assinatura ou não de um distrato bilateral, Sturm chama o diretor financeiro do Instituto Odeon, Jimmy Keller, para uma conversa privada em seu gabinete. Na conversa, que foi gravada por Keller, Sturm diz claramente que assinaria a aprovação das contas do Instituto Odeon depois que o mesmo assinasse o distrato. Ouça.

Sturm: Nós temos marcada uma reunião amanhã (14/11/2018) às 9:00. Eu quero saber se está tudo em paz, se nós vamos nos entender…

Keller: A gente está aguardando essa história da prestação de contas, que eu acho que é a única coisa que falta “passar a régua”.

Sturm: Vou ser muito sincero. É evidente que que eu não vou dar quitação para vocês antes de vocês assinarem que querem sair. Porque veja bem: se eu der quitação pra vocês e aí o presidente do conselho, que gosta de encrenca, diz assim “ah tá, pensei melhor e não quero sair”. Como é que eu notifico vocês para sair se eu dei quitação para vocês? Evidente que isso não é possível. Agora, é evidente também, me parece, a minha visão de fazer um entendimento amigável. Na outra reunião eu disse: todas as questões formais nós vamos dar quitação para vocês.

No dia 14, às 9:00, Sturm e os representantes do Odeon comparecem à reunião. Ao Sturm se recusar a devolver as prestações de contas do Instituto, fossem aprovadas, fossem com indicações de problemas que precisariam ser resolvidos — como determina a lei e o Termo de Colaboração — o Odeon entende que os termos da proposta preliminar de distrato não haviam sido atingidos e informa que não assinará o distrato. Sturm encerra a reunião.

Cerca de 30 minutos depois, a Secretaria Municipal de Cultura envia nota oficial à imprensa afirmando que o contrato havia sido encerrado após assinatura de distrato bilateral proposto pelo Instituto Odeon.

Cerca de duas horas depois, um ofício da Fundação Theatro Municipal é encaminhado ao Instituto Odeon, notificando o mesmo para que apresentasse explicações para denúncias de irregularidades que justificariam uma rescisão unilateral.

“Antes de rescindir eu falei com todas as instâncias do governo. Procurador Geral, Corregedor Geral. Foi a Procuradoria que preparou o parecer e a notificação. Nada foi feito de maneira simplista ou de maneira persecutória ou sequer de maneira pessoal. É absolutamente institucional tudo o que aconteceu.”

Como é sabido, a Procuradoria Geral do Município tem o dever Constitucional de servir ao interesse público.

Também como é sabido, a Controladoria Geral do Município foi criada para “prevenir e combater a corrupção na gestão municipal, garantir a defesa do patrimônio público, promover a transparência e a participação social e contribuir para a melhoria da qualidade dos serviços públicos”. É a Controladoria o órgão que recebe denúncias relacionadas a irregularidades cometidas por servidores municipais.

“Instituto Odeon não vai ficar. Isso eu garanto”

A afirmação do Secretário foi feita antes de a FTM receber as respostas do Instituto Odeon. Antes, portanto, de avaliação de órgãos internos da Fundação. Antes de avaliação da Procuradoria, da Controladoria Geral. Antes de saber se haverá recurso à Justiça. Ou Sturm sabe de algo que ninguém mais sabe ou ele, mais uma vez, faz afirmações que não encontram amparo no campo da realidade.

Sturm vai além. Diz que, se o Odeon decidir levar a questão para a Justiça “pode haver uma situação de limbo, que só vai prejudicar o Theatro Municipal, não vai favorecer o Instituto Odeon. Podemos ter uma situação de impedimento de entrada de outra organização que vai nos levar a uma situação pior do que o limbo. Os maiores prejudicados, infelizmente, serão vocês.” Sturm não explica que quem vai avaliar e julgar as respostas do Instituto Odeon às acusações feitas pela Fundação Theatro Municipal em ofício é a própria FTM!

Assumindo, mais uma vez, o lugar de dono de todas as verdades Sturm tenta culpar o Instituto Odeon por atrasos ou impedimentos que por ventura venham a acontecer por decisão da Justiça. O secretário não se contenta em fazer acusações falsas, em tentar romper um contrato que foi assinado depois de cumprimento de todo um processo licitatório legítimo e transparente. Ele quer determinar como ele atua e também como a outra parte, no caso o Odeon, deve atuar. Para isso, acha legítimo criticar os recursos legais de direito de defesa. Critica as gravações feitas para proteger quem estava gravando (e não explica as ameaças que fez). E que critica um possível recurso do Odeon à Justiça. Sturm não quer se submeter ao que diz a Lei e a Justiça. Ele quer determinar as regras e julgar quais atitudes são válidas.

 

Para que tantas mentiras?

De Instituto Odeon em 26 de novembro de 2018


Nos últimos dias, a partir de meados de novembro de 2018, uma série de acusações infundadas, conflitantes e desencontradas vêm sendo proferidas pelo secretário Municipal de Cultura, André Sturm, e por sua subordinada Patrícia Maria de Oliveira, a diretora-geral da Fundação Theatro Municipal de São Paulo, com o claro objetivo de manchar a imagem do Instituto Odeon na tentativa de criar um fato para justificar o afastamento da entidade responsável pela gestão do Theatro Municipal de São Paulo desde setembro de 2017.

Sturm tenta, desde o início dos trabalhos do Odeon há pouco mais de um ano, inviabilizar a atuação do instituto. Atuando muito além das atribuições de seu cargo, Sturm interfere na gestão do Theatro cometendo abusos que vão desde a ordem para se refazer programas que incluíam todos os nome dos artistas e profissionais envolvidos em uma apresentação por uma versão em que constavam apenas os artistas escolhidos por ele, até atos de assédio moral contra a diretora-executiva do Theatro, Tatyana Rubim, em e-mail enviado a ela com outros profissionais copiados.

Com sua tentativa de afastar o Odeon por meio de um distrato amigável – tentativa fracassada porque Sturm não cumpriu sua parte do que poderia ser um acordo e preferiu chantagear o Instituto – Sturm e Patrícia partiram para atitudes que podem ser enquadradas como improbidade administrativa.

Abaixo segue uma série de mentiras proferidas pelo secretário Sturm e por Patrícia Oliveira:

 

Distrato amigável bilateral

Sturm divulgou nota oficial para a imprensa, após reunião com o Instituto Odeon em 14 de novembro de 2018, afirmando que havia se chegado a um distrato de comum acordo proposto pelo Odeon.

É uma mentira fácil de ser desmascarada. Não há nenhum documento que comprove o distrato bilateral. Havia uma proposta preliminar, assinada pelo diretor-presidente do Odeon, Carlos Gradim, e pela diretora-geral da FTM, Patrícia Oliveira. A secretaria não cumpriu com sua parte do acordo e o distrato não foi assinado. O Instituto Odeon desafia o secretário Sturm a apresentar um documento assinado pelo Odeon que comprove o distrato bilateral do Termo de Colaboração.

 

Rescisão unilateral

Cerca de duas horas depois de a secretaria enviar nota oficial (mentirosa) à imprensa, a diretora-geral da FTM, Patrícia Oliveira, envia ofício notificando o Instituto Odeon de supostas irregularidades para justificar uma possível rescisão unilateral do termo de colaboração. O documento assinado por Patrícia comprova a mentira de Sturm. Não há distrato amigável. Se houvesse, para que enviar uma notificação com o propósito de justificar uma rescisão unilateral?

 

Acusações infundadas

No ofício que envia ao Instituto Odeon, Patrícia faz uma série de acusações mentirosas que serão respondidas juridicamente. Contudo, não é difícil fazer um exercício lógico e checar o absurdo que Patrícia comete. (RESPOSTAS NO FIM DESTE TEXTO)

A própria Patrícia se desmente. A diretora da FTM assina a proposta preliminar de distrato bilateral de 31 de outubro de 2018 dizendo-se ciente e de acordo com os termos da proposta. O termo 1 é bastante claro: “Considerando que mesmo diante de ausência de faltas e/ou de descumprimentos de obrigações previstas no Termo de Colaboração e da inexistência de processo administrativo sancionador…”

Apenas 14 dias depois de ter assinado documento afirmando não haver falta ou descumprimento de obrigações por parte do Odeon, Patrícia assina um novo documento, agora afirmando haver irregularidades graves (cometidas antes de 31 de outubro de 2018) que justificariam a rescisão unilateral do contrato.

Se havia irregularidades graves, por que Patrícia afirmara duas semanas antes que não havia? Havendo irregularidades cometeu um ato de improbidade administrativa.

Se não havia (como não há), por que Patrícia mentiu? A diretora deve explicações.

Ao ser questionado por jornalistas o secretário Sturm afirmou que Patrícia assinou apenas o recebimento da proposta, mas não estaria de acordo com o conteúdo. Não é isso que diz o documento. A afirmação de Sturm é tão absurda quanto a de alguém que assina um cheque de R$ 2.000,00 e depois afirma que só reconhece o pagamento de R$ 500,00. O resto, pela lógica de Sturm, não faria parte do que foi assinado.

 

Chantagem

Um dia antes da reunião que definiria se haveria ou não um distrato bilateral, André Sturm chama o diretor-financeiro do Odeon, Jimmy Keller, para uma conversa privada. Keller desconfia da atitude e grava a reunião. Na conversa Sturm chantageia claramente Keller afirmando que só assinaria a aprovação de contas do Odeon depois que o Instituto assinasse o distrato. “A gente abre mão de escarafunchar qualquer outra coisa e estabelece o prazo de transição da desmobilização e da informação”, afirma Sturm, cometendo ele também um ato de improbidade administrativa. Em outro trecho ele diz: “Agora eu não vou dizer, obviamente, que está tudo certo antes de vocês concordarem em sair”, o que deixa clara a chantagem. Vale ressaltar que as prestações de contas enviadas pelo Odeon jamais foram devolvidas, aprovadas ou reprovadas. Desde setembro de 2017 as contas são enviadas mensalmente, sem resposta, mesmo depois de cobranças feitas por ofício pelo Odeon.

É obrigação do poder público analisar as contas dentro do menor prazo possível e apontar problemas, caso eles existam. Prestação de contas não existe para que o administrador público tenha em mãos um instrumento de chantagem para realizar seus desejos pessoais. É um documento para dar transparência à gestão.

Reportagem da rádio CBN reproduz o áudio da chantagem.

 

RESPOSTAS ÀS ACUSAÇÕES FEITAS PELA DIRETORA-GERAL DA FUNDAÇÃO THEATRO MUNICIPAL, PATRÍCIA OLIVEIRA

 

1) Pagamento da remuneração de profissional de captação de recursos em desacordo com a Portaria do MinC no 5, de 26 de dezembro de 2017, ocasionando prejuízo a PMSP.

 O Instituto Odeon segue precisamente o que determina a Instrução Normativa número 5 de 26 de dezembro de 2017.

Em seu artigo 8o a Instrução Normativa estebelece que “os valores admitidos para remuneração para todo aquele que realize a captação de recursos ficam limitados a 10% (dez por cento) do valor do Custo do Projeto (Anexo I) e ao teto de R$ 150.000,00 (cento e cinquenta mil reais)”. A Instrução Normativa estabelece, em seu primeiro parágrafo, “procedimentos para apresentação, recebimento, análise, aprovação, execução, acompanhamento, prestação de contas e avaliação de resultados de projetos culturais do mecanismo de Incentivo Fiscal do Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac)”. Fica evidente que os limites estabelecidos pela Instrução Normativa se aplicam somente a recursos que façam uso de incentivo fiscal do Pronac.

A remuneração feita com recursos que jamais tiveram benefícios fiscais, não poderia nunca ser regida pela Instrução Normativa número 5, já que fogem ao seu escopo.

Outra evidência do absurdo alegado pela FTM é a falta de contestação desde a assinatura de contrato com a referida captadora de recursos. Como é sabido, o Instituto Odeon apresenta trimestralmente a prestação de contas, o que inclui o pagamento de comissão aos captadores de recursos. A Levisky foi contratada em novembro de 2017. Desde então, a FTM jamais havia feito qualquer questionamento sobre o tema. Nunca reprovou uma conta do Instituto Odeon.

Não há, no contrato com a FTM, qualquer limitação à utilização de recurso não incentivado para remuneração de captadores.

A remuneração dos captadores contratados pelo Instituto Odeon segue o padrão praticado pelo mercado, prática já consagrada e referendada pelas maiores autoridades jurídicas do tema.

 

2) As informações referentes à bilheteria não têm sido repassadas adequadamente pelo Instituto Odeon à Fundação Theatro Municipal, fato que, juntamente com erros de procedimento já detectados, geram grande preocupação. Some-se ao fato o comportamento renitente do Instituto Odeon em se recusar a passar as informações solicitadas pela Fundação, chegando ao ponto de omitir-se em avisar de prontidão a ocorrência de furto de valores na bilheteria.

Todos os borderôs com os valores recebidos com a venda de ingressos (bilheteria) são repassados na íntegra, trimestralmente, junto com a prestação de contas do referido trimestre. Além disso, a cada mês, é enviado o relatório de receitas/vendas da bilheteria. Isso é feito desde o início do trabalho do Instituto Odeon no Theatro Municipal de São Paulo, a partir de setembro de 2017.

Todos os questionamentos em relação ao tema por parte da Fundação Theatro Municipal foram respondidos pelo Instituto Odeon. Não houve nenhum questionamento deixado em aberto.

Vale ressaltar que a Fundação Theatro Municipal tem login e senha de acesso do sistema de venda de ingressos com informações online e em tempo real desde agosto, quando a fundação solicitou o acesso e foi atendida em menos de 24 horas, tratando-se de uma liberalidade por parte do Instituto Odeon, já que não constava como obrigação contratual.

Os questionamentos da Fundação Theatro Municipal revelam o despreparo da mesma para lidar com temas financeiros como “competência contábil”. Por exemplo: a Fundação enviou o ofício FTM 124/2017 em 27 de março de 2018 “solicitando o escalonamento acordado com a empresa que gerencia a venda de ingressos para um melhor entendimento das entradas e apontamentos como receita de bilheteria realizada e a receber”. O Instituto Odeon respondeu, mais uma vez, que as vendas são realizadas pelo regime de competência contábil. A FTM, no entanto, continuou sem entender porquê as vendas em um mês chegavam, hipoteticamente a R$ 10.000,00, mas o valor em caixa era de R$ 6.000,00, por exemplo. A explicação deve-se, basicamente, aos pagamentos feitos com cartão de crédito, que demoram até 40 dias para serem repassados, o que gera uma diferença entre número de ingressos vendidos e dinheiro que entra no caixa imediatamente.

Na tentativa de sanar a dúvida, mais uma vez por liberalidade, o Instituto Odeon passou a enviar relatórios mensais simplificados (ainda que isso não fizesse parte da descrição dos serviços a serem prestados pelo IO).

O Instituto Odeon jamais se recusou a repassar informações à FTM. A Fundação solicitou diretamente à empresa que cuida da venda de ingressos (Eventim) cópia dos borderôs. A Eventim se recusou a repassar as informações e orientou a Fundação a solicitar os borderôs ao Instituto Odeon em 15 de outubro. Apenas em 12 de novembro de 2018, dois dias antes de anunciar sua intenção de romper o contrato, a FTM pede os borderôs ao Instituto Odeon e que sejam apresentados de uma nova forma determinada pela Fundação. Isso será atendido na próxima prestação de contas mensal, a ser enviada até 10 de dezembro.

Curioso notar que a FTM tem acesso a todas essas informações on line e em tempo real.

Sobre o que a Fundação Theatro Municipal classifica de “furto de valores de bilheteria”, mais uma vez há um equívoco. O que ocorreu foi o não repasse de aproximadamente R$ 670.000,00 por parte da empresa Compreingressos, contratada durante a gestão anterior (de responsabilidade do Instituto Brasileiro de Gestão Cultural – IBGC). A Compreingressos fez o mesmo com outras casas em Belo Horizonte, que foram lesadas em aproximadamente R$ 1.100.000,00, e Teatro São Pedro (São Paulo), no valor de R$ 250.000,00. Com o trabalho diligente do Instituto Odeon, o Theatro Municipal de São Paulo conseguiu reaver cerca de R$ 220.000,00, reduzindo o prejuízo para cerca de R$ 450.000,00. Nenhum dos outros equipamentos conseguiu reaver um único real.

Após um mês de atraso no repasse dos ingressos vendidos, o Instituto Odeon registrou um Boletim de Ocorrência em 9 de novembro de 2017, no 3 Distrito Policial (Campos Elíseos) relatando os fatos. Como se sabe, todo BO é um documento público.

Após todas as tentativas de negociação com a Compreingressos, que resultaram na recuperação dos já mencionados R$ 220.000,00, o Odeon encerrou as conversas e comunicou a FTM.O Instituto Odeon entrou com uma Ação de Execução de Título Executivo Extrajudicial contra a empresa Compreingressos afim de reaver o montante não repassado.

 

3) O Instituto Odeon incorreu em erro grosseiro na realização de um concerto ao não conseguir a tempo o visto do solista Willian Hagen, prejudicando o espetáculo;

A legislação brasileira estabelece que artistas que vão se apresentar profissionalmente no País por menos de 90 dias necessitam apenas do visto de Turismo. A agente do solista William Hagen, Julie Gaitens, foi informada no mês de abril de 2018 da necessidade de um visto de turista para Hagen. No dia 13 de julho o Instituto Odeon informa, por e-mail, o valor do visto e como ele seria reembolsado.

Como se sabe, a lei brasileira estabelece que apenas o interessado pode solicitar seu próprio visto.

As acusações da FTM são ainda mais absurdas quando se leva em conta os números do espetáculo. Não houve prejuízo nenhum à apresentação da Orquestra Experimental de Repertório, seja tecnicamente (aprovação do público in loco e pelas redes sociais) seja pelos resultados de público. A casa estava cheia, com 615 ingressos vendidos, e não houve nenhuma desistência de público, pedido de devolução ou troca de ingressos. A média de público pagante da Orquestra Experimental de Repertório ao longo de 2018 foi de 606 pessoas.

 

4) Prática reiterada de ações sem planejamento, pondo em risco a programação

Além de vaga, a acusação é infundada. O Instituto Odeon é reconhecido por sua capacidade de planejamento, o que pode ser conferida em todos os equipamentos por ele administrados, inclusive o próprio Theatro Municipal de São Paulo que tem previsão de 262 dias de programação aberta ao público em 2018. Desde o início da gestão do Instituto Odeon à frente do Theatro Municipal não houve um único cancelamento de evento ou alteração de programação. Foi registrado um atraso inferior a 30 minutos na apresentação da ópera Pelléas Et Mélisande em 12/10/2018, ocasionado pela falha de um projetor.

 

5) Desta feita, em atenção ao item 12.5 da Cláusula Décima Segunda e aos itens 13.1 e 13.2 da Cláusula Décima Terceira do Termo de Colaboração, fica o Instituto Odeon NOTIFICADO, (sic) para apresentar defesa prévia em relação a todas as irregularidades apontadas no anexo 01 deste termo, em especial, à falta da devida prestação de contas. O prazo para apresentação da defesa em questão é de 10 (dez) dias úteis contados da abertura de vistas ao processo, a qual fica franqueada a partir de 14/11/2018.

A Fundação Theatro Municipal fala em “falta da devida prestação de contas” que estaria “apontada no anexo 01 deste termo”.

Mais uma vez o posicionamento da FTM é, no mínimo, confuso. Não se fala em “falta da devida prestação de contas” no anexo 01. Não é apenas isso. O Instituto Odeon envia trimestralmente um relatório de contas para avaliação da FTM desde que iniciou o cumprimento do Termo de Colaboração, em setembro de 2017. Todos os relatórios foram enviados em dia e jamais houve uma devolução, uma resposta. Seja para aprovar ou reprovar. A FTM jamais respondeu às cobranças do Odeon sobre o tema. Quem está em falta em relação à prestação de contas é a Fundação Theatro Municipal, não o Instituto Odeon.

O Instituto Odeon, inclusive, publicou o relatório anual de 2017, que contém as prestações de contas referentes aos meses de sua gestão no ano (setembro a dezembro),  em seu site e no site do Theatro Municipal de São Paulo em maio de 2018. Dias depois, a FTM envia o ofício 218/18 no qual determina a retirada do ar da prestação de contas, alegando não haver aprovado até o momento o relatório. Cabe ressaltar que o relatório foi enviado para a FTM em março e até agora (novembro de 2018) ele não foi devolvido, nem aprovado, nem reprovado.

Talvez não seja coincidência o fato de o secretário Municipal de Cultura de São Paulo, André Sturm, ter usado a não aprovação de contas do Instituto Odeon na tentativa de obrigá-lo a assinar um “distrato amigável” do Termo de Colaboração, como mostra gravação em reportagem da rádio CBN

Na gravação, feita de forma legal pelo diretor-financeiro do Instituto Odeon, Jimmy Keller, Sturm afirma: “Se eu não quisesse fazer amigável eu já tinha feito litigioso. Se eu tenho razão ou não, pode discutir na Justiça. Mas se eu quisesse fazer o litigioso, eu já poder ter feito. Eu estou tentando construir uma saída que eu considero melhor. Que é na boa, fofinho. Desentimento, questões, isso fica meio subjetivo. Mas se quiser litigiar, a gente é fácil de litigiar. Agora, eu não vou dizer obviamente que está tudo certo antes de vocês concordarem em sair. Não vou ficar me apegando a picuinha. Tenho mais o que fazer na vida.”

No mesmo áudio, o secretário afirma que já informou a prefeitura sobre a proposta amigável e que se houver acordo o procurador-geral do município vai fazer um parecer aprovando as contas do instituto, indicando que a armação teria a participação do procurador-geral do Município.

Eu já conversei na prefeitura. Se eles concordarem sair por bem, é melhor para todo mundo. E o procurador-geral faz um parecer aceitando o comum acordo“.

 

6) Outro caso tratado pelo gestor da parceria diz respeito à incoerência profissional da Diretora Executiva do Instituto. Não foi razoável o público descontrole emocional da referida diretora, não é de interesse público esse tipo de comportamento à frente de frequentadores do Theatro Municipal, bem como o poder público  não é conivente com qualquer tipo de atos de violência e assédio moral a qualquer ser humano.

Este ponto causa estranheza por diversos aspectos. Primeiro porque a Fundação Theatro Municipal tem como presidente do Conselho o secretário Municipal de Cultura, André Sturm, flagrado em diversas ocasiões praticando o que a FTM agora diz condenar. É pública e conhecida a ameaça que Sturm faz a um ativista cultural durante reunião que foi gravada em maio de 2017. Em determinado momento, após ser contrariado, o secretário diz que vai “quebrar a cara” do ativista, que não havia feito qualquer tipo de ameaça ou agressão.

Um mês depois, em junho/17, Sturm é gravado batendo-boca com seu então colega, o então secretário de Relações Institucionais, Milton Flávio. Sturm faz acusações a Flávio e diz que este faz “molecagem” de forma bastante agressiva.

O secretário também teve pedida sua condenação e suspensão de direitos políticos pelo Ministério Público de São Paulo por interferir na licitação de contratação do carnaval de rua de 2017.

Não parou por aí. A Controladoria Geral da cidade de São Paulo abriu uma sindicância para apurar um áudio em que Sturm discute com Lara Pinheiro, sua funcionária, que o acusa de assédio sexual. Ele ameaça demiti-la caso ela leve as acusações adiante. No áudio de Lara a bailarina do Balé da Cidade de São Paulo (BCSP) Fernanda Bueno é citada como vítima de suposto assédio de Sturm.

Na ocasião a Secretaria de Cultura ordenou, de forma expressa, que o Instituto Odeon não usasse fotos de Fernanda nas divulgações do BCSP. Fernanda evitou fazer uma denúncia formal.

Recentemente veio à tona e-mail em que Sturm ataca a diretora executiva do Instituto Odeon, Tatyana Rubim (a mesma que a FTM tenta acusar agora, com argumentos frágeis) em e-mail enviado a ela com outras pessoas copiadas. Na mensagem Sturm tenta desqualificar uma proposta de Tatyana e a chama de “representante da esquerda caviar que se acha detentora do bem no mundo. Populista, autoritária e hipócrita”. Tatyana havia apenas discordado do traje proposto pelo secretário para que o público utilizasse em um espetáculo.

Sobre esses abusos documentados e incontestáveis do presidente de seu conselho a Fundação Theatro Municipal jamais se manifestou. Isso deixa claro, mais uma vez, que a FTM não tem condições de agir imparcialmente neste caso.

Sobre as acusações à conduta de Tatyana, houve um desentendimento com um funcionário que havia cometido um erro ao informar um espectador sobre uma informação de um espetáculo. Tatyana repreendeu o funcionário, o que gerou um movimento de solidariedade a ele. O fato foi superado, o espetáculo foi encenado como previsto inicialmente. O fato foi levado ao comitê de ética do Instituto e Tatyana foi advertida verbalmente, como é o recomendado em casos de primeira advertência.

 

Isso tudo será esclarecido de forma oficial junto à Fundação Theatro Municipal e aguardamos posicionamento dos órgãos de controle do município.

 

EM DIÁLOGO COM O FESTIVAL WOW, MUSEU DE ARTE DO RIO INAUGURA A EXPOSIÇÃO “MULHERES NA COLEÇÃO MAR”

De Instituto Odeon em 19 de novembro de 2018


O Museu de Arte do Rio, sob a gestão do Instituto Odeon, abriu ao público no dia 16 de novembro a exposição “Mulheres na Coleção MAR”. Em diálogo com o Festival Mulheres do Mundo (Women of the World), do qual o MAR é parceiro estratégico, a mostra apresenta um recorte de obras de mais de 150 artistas brasileiras e estrangeiras  que integram o acervo. Estão presentes artistas como Tarsila do Amaral, Tomie Ohtake, Beatriz Milhazes, Güler Ates, Marie Nivouliès de Pierrefort, Abigail de Andrade, Louise Bourgeois, Neide Sá, Jenny Holzer, Leila Danziger, Regina Silveira, Vânia Mignone e Célia Euvaldo. 

Pela primeira vez na história do MAR, a curadoria foi realizada a partir de um processo colaborativo que envolveu mulheres de todos os setores do museu, entre seguranças, recepcionistas, produtoras, auxiliares administrativas e de serviços gerais, advogadas, jornalistas, designers, museólogas e gestoras. Em uma série de encontros realizados ao longo de dois meses, sob a orientação da equipe de conteúdo, as funcionárias trocaram experiências de vida e de trabalho, conversaram sobre o universo feminino e a respeito das múltiplas representações da mulher na arte, nos espaços culturais, na família e na sociedade.

O grupo também foi apresentado ao conceito da exposição e a uma série de obras de artistas mulheres presentes na Coleção MAR. E experimentou exercícios de curadoria, selecionando trabalhos de acordo com os desejos e conceitos mapeados nos encontros e norteando a curadoria da exposição.  “Mulheres na Coleção MAR” está dividida em cinco núcleos significativos: Retrato/Representação, Corpo Político, Cidade e Paisagem, Abstrações e Poéticas.  

“Quando surgiu a ideia da exposição, pensei que não poderíamos perder a oportunidade de engajar as funcionárias do MAR em um processo curatorial colaborativo, mais horizontal, de escuta recíproca em torno das questões do que é ser mulher e do que é fazer uma mostra de artistas mulheres. A diretoria acatou a sugestão e então nos debruçamos juntas sobre as obras da coleção, trocamos experiências e saberes, dividimos preocupações. O MAR segue vivo e pulsante na mão dessas mulheres, quebrando paradigmas e inventando novos modos de fazer curadoria”, explica Amanda Bonan, coordenadora de Conteúdo do MAR, antecipando que um vídeo sobre o processo, com imagens dos encontros e depoimentos das funcionárias, poderá ser visto na exposição.

Segundo a diretora executiva do museu, Eleonora Santa Rosa, esta exposição se reveste de alguns significados especiais. “O primeiro deles é fazer parte da programação extraordinária do Festival de Mulheres, com toda a potência que terá esse evento. Em segundo lugar, o que essa experiência proporcionou ao corpo funcional feminino do MAR. Foi muito importante, porque o museu experimentou pela primeira vez uma tecedura de exposição realmente de base, discutindo com quem às vezes não tem nada a ver com o trabalho curatorial como se realiza uma exposição. Ao mesmo tempo esses laboratórios de criação curatorial também abriram uma dimensão extraordinária de depoimentos pessoais. Então exposição está sendo amalgamada não só por um corte profissional, frio, “curatorial”, mas faz parte de um caldo muito maior, envolvendo uma percepção desse acervo, um outro olhar sobre a montagem desse acervo num determinado espaço e, mais do que isso, o cinturão em torno dessa exposição do ponto de vista de reflexão pessoal, de reflexão de histórias individuais, de narrativas dessas histórias e de como isso pode estar projetado nessa mostra”.



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